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There's No Place Like Home

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09
Jul20

Como vão funcionar as escolas, no póximo ano letivo?

Little Cuca

Alunos do 2º ciclo vão poder ficar na escola das 9 às 17 horas | A ...

Desilusão é esse o sentimento de muitos pais, educadores e professores em relação às orientações do Ministério da Educação e da DGS em relação ao funcionamento do próximo ano letivo. Muitos estarão, certamente a sentir-se defraudados em relação às expectativas criadas para o próximo ano letivo, que poderia ser o ponto de partida para mudanças mais profundas e necessárias no ensino.

Antes de mais, o ano letivo 2019/20 deveria ter terminado no dia 13 de Março, até porque as notas atribuídas no final do 3º período foram as concedidas no 2º período. Apesar do esforço e do mérito do sistema educativo ter apresentado uma resposta curricular e pedagógica, para minorar as assimetrias, através da implementação da Telescola, iniciativa elogiada inclusivamente a nível internacional, a verdade é que não se pode dizer que tudo correu bem.

Os pais substituíram o papel dos professores, mas nem todos tinham disponibilidade, nem todos tinham capacidade para prestar o apoio necessário e explicar novos conteúdos que não tinham sido abordados nos períodos anteriores, aos seus filhos.

Nem todos os alunos têm computador, tablet ou outro dispositivo ou sequer acesso à internet para acederem aos powerpoints, vídeos e outros suportes de informação das matérias abordadas ao longo do 3º período. Nem todos os alunos têm o mesmo nível de autonomia, dependendo uns mais que outros do suporte de um adulto. Assim como, nem todos revelam a mesma facilidade em utilizar as plataformas através das quais acediam aos conteúdos pedagógicos enviados pelos professores e para assistirem às aulas síncronas.

Por outro lado, não se pode ignorar os danos a nível psicológico que todo este contexto de pandemia e de confinamento provocou nos miúdos. Aquilo que muitos pais foram sentindo com o avançar das semanas, foi um crescendo de desmotivação e desinteresse pelas tarefas escolares, por parte das crianças, e a dada altura muitos questionavam-se se valeria a pena insistir e exigir aos seus filhos a conclusão do plano de trabalhos enviado pelos professores a cada semana.

Há ainda a salientar o facto de, que houve diferenças de metodologias aplicadas entre os diversos agrupamentos de escolas, e até mesmo por parte de professores pertencentes ao mesmo agrupamento. Enquanto uns pecaram pelo excesso de fichas que os alunos tinham que realizar, outros revelaram-se demasiado flexíveis.

Também entre as escolas do ensino público e os estabelecimentos do ensino privado verificou-se uma grande diferença. Nestes últimos, muitos deles num fim-de-semana preparam-se, e logo a partir do dia 16, os alunos começaram a ter todas as manhãs aulas síncronas, ficando a parte da tarde para execução de exercícios sobre os conteúdos que foram sendo abordados. Nas escolas públicas, os alunos tiveram uma aula síncrona, de uma hora, por semana (pelo menos, a nível do 1º ciclo).

Perante este cenário, mais do que nunca as turmas deveriam ser reduzidas, de modo a que os professores pudessem desenvolver um trabalho mais individualizado, atendendo ao perfil de cada aluno. Mais ainda, era importante que houvesse tempo para brincar, ou seja menos carga horária, e é precisamente o contrário que vai acontecer.

Em primeiro lugar, o Ministro da Educação afirma, que a estrutura física das escolas não permite o desdobramento das turmas e que é impossível duplicar o corpo docente para pôr em prática a redução das turmas. Pergunta-se, até que as escolas fossem restruturadas para receber mais turmas e mais pequenas, não seria possível eventualmente recorrer a espaços disponibilizados pelas autarquias locais e entidades particulares? Desta forma, não só os professores teriam condições para fazer o diagnóstico individual de cada aluno, bem como potenciar a recuperação e consolidação de aprendizagens que possam ter ficado para trás com o ensino remoto. Assim, esse trabalho terá que ser feito pelo professor nas 5 primeiras semanas, do ano letivo 2020/21, numa classe de 25 alunos (média).

Ademais, o distanciamento de 1,5 a 2m recomendado pela DGS fica comprometido numa turma com tantos alunos, o que evidencia uma duplicidade de critérios, no que diz respeito à implementação das condições de segurança, para evitar a propagação do Coronavírus.

Ainda a propósito da necessidade de dar mais enfoque a aprendizagens consideradas fulcrais, o Ministro da Educação confirma, que o próximo ano letivo inicia entre 14 a 17 de Setembro e vai ser prolongado até 30 de Junho e as férias da Páscoa vão ser encurtadas (isto para o jardim de infância, 1º e 2º ciclos), decorrendo de 25 de Março a 5 de Abril. Em conclusão, haverá menos tempo para descomprimir e aliviar a pressão colocada sobre as crianças, que além de terem que cumprir com as metas curriculares de um novo ano letivo (que não sofre qualquer alteração), ainda terão que consolidar a matéria do 3º período do ano letivo, agora findo.

O Ministro da Educação garante, que todas as escolas estarão adaptadas quer em termos de higienização dos espaços, quer de circuitos, de salas, cantinas, biblioteca, de modo a evitar o surgimento de focos de contágio dentro dos estabelecimentos de ensino. Estas medidas vão ser complementadas com a aplicação de intervalos mais curtos entre as aulas, desfasamento de intervalos entre salas, assim como dos horários de refeições.

De acordo, com o código de conduta de prevenção infeciosa, as mãos deverão ser lavadas/desinfetadas à entrada da escola, antes e após as refeições e com frequência ao longo do dia, e o uso de mascara será obrigatório para alunos a partir do 2º ciclo. A este respeito, questiona-se se as escolas terão auxiliares em quantidade suficiente para controlarem o cumprimento deste código de conduta. Mais, não deveria fazer parte deste código de conduta a lavagem/desinfeção das mãos antes e depois da ida aos wc’s? E, não sendo possível cumprir o distanciamento de 1,5m a 2 m entre os alunos numa sala de aulas, por que razão a máscara é obrigatória apenas a partir do 5º ano? Mais uma vez, não existe equidade na aplicação das medidas de segurança, e os alunos até ao 4º ano estão a ser colocados numa situação de maior risco de infeção.

Por fim, o Ministro da Educação assegura que haverá um reforço de apoio tutorial, ou seja mais professores e psicólogos para reforçar as equipas multidisciplinares que trabalharão com alunos, desde o 2º ciclo até ao secundário, que já chumbaram mais do que uma vez, ou que não transitaram de ano.

A existência de equipas multidisciplinares deveria ser extensiva a todos os graus de ensino e não só para trabalhar com alunos que evidenciam dificuldades de aprendizagem ou desmotivação. Todas as crianças apresentam ritmos de aprendizagem diferenciados, mais ou menos apetência para trabalhar matérias curriculares distintas, e é preciso desde cedo, desde o 1º ciclo (até antes, logo no pré-escolar), ir ao encontro das capacidades reveladas por cada aluno, potenciando o seu desenvolvimento, mas ao mesmo tempo promover o interesse por outras áreas, igualmente determinantes para um bom desempenho escolar, bem como para o fomento de competências sociais.

A única novidade a destacar, pela positiva, é que paulatinamente, já a partir do próximo ano letivo todos os alunos e professores do ensino público vão receber computadores. De resto, em face do exposto, no geral as escolas vão funcionar quase como funcionavam antes da pandemia. Ou seja, as ansiadas reformas no ensino continuam em standby.

 

 

 

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